Reflexo

Não sei nunca quando volto
Para dentro de mim.
É ver-me assim
Num espelho recortado
Que o tempo partiu
E eu, daquele lado,
Sou outra que não sorriu,
Um reflexo alterado.
E dos risos,
Sem palavras
De repente me desfiz,
Aquela que no espelho não ri,
Estará infeliz?
Mas se aquela outra não sou eu,
É outra, saída de mim
E o que é de mim não morreu,
Porque me vejo assim?
Não sei nunca quando parto
Para fora de mim,
Há qualquer coisa de barco
Nesta travessia sem fim,
Em que um rio reflector,
Sem cuidado e sem pudor,
Me separa de mim.
Imagem: Muchacha ante el espejo - Pablo Picasso
1 Comentários:
Ai esses espelhos
que nos devolvem sem querer
o que não conseguimos ver...
ou não queremos sentir...
mil beijinhos
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