Abstracções

Longe estão os momentos perseguidos
E erguem-se agora com os barcos na neblina,
Fantasmas dos futuros intangidos,
Como outrora uma cigana leu na minha sina,
Perpétuos só os ventos, os campos e a terra,
Insidiosos os tormentos pressagiantes da quimera,
Em que na Terra os vivia na insistência perseguida
Em que construía de torpes sonhos a minha vida.
Mas desenhou-se nos dias e na noite obscura
Uma abstracção dessa mesma pintura,
Um desvio à norma erigida,
Mas como nem só de sonhos se vive a vida
E os fantasmas vêem e por fim voltam
Como os dias que as noites cortam.
(O quadro dispensa apresentações
embora não sirva propriamente
para engradecer o que se revelou
um soneto frustrado)